livro
 
poesias
     + poesias
 
contos
     + contos
 
frases
 
diversos
     + diversos
 

UMA HISTÓRIA

Uma historinha triste.


                    Conheço um cara que gosta de escrever. Principalmente poesia moderna, que não precisa rimar, nem contar as sílabas.

                    Levou uma delas, ao Lionel, dono de um jornal hebdomadário. Será que ele vai publicar? Às vezes publica, às vezes não. O cara não liga, porque também não sabe se o que escreve é bom ou não.

                    Seu Lionel recebeu o escrito, muito atencioso, disse que posteriormente leria, pois estava com pressa para uma reunião. Com isso deixava no ar se iria ou não publicar. Reunião é a salvação dos empresários.

                    O escrito era sobre um amor passado, quando o cara ainda morava em outras plagas, bem distante. Muito tempo atrás.

                    O escrito do dito cujo acabou sendo publicado e, por incrível coincidência, a dita cuja a quem ele se referia acabou lendo e se identificando. Ela estava morando na mesma cidade e, não por curiosidade, mas pelo fato de estar internada em hospital com doença terminal, quis revê-lo.

                    O cara ficou meio constrangido, mas quando soube da situação achou que deveria lá ir. O que de fato o fez.

                    Foi um encontro sem melodramas. Depois de tanto tempo, uma tentativa de reconhecimento mútuo.

                    Na despedida, um aperto de mão, que era o que tinham feito quando namoraram por mais ou menos um mês. Naquele tempo depois de um mês sair de mãos dadas era uma ousadia.

                    Ele viu-lhe os olhos baços e um aperto de mão de quem já não tem muita força, mas que envia uma mensagem, que foi recebida.

                    O cara curvou-se, os lábios encontraram-se pela primeira (e última) vez. Um beijo puro, romântico, próprio da época em que eram jovens.

                    Ergueu-se, dirigiu-se à porta e saiu.

                    Ela chamou o filho e disse que já podia morrer pois estava feliz. Fechou os olhos e foi-se.

                    O cara sentiu bastante o acontecido. Não foi ao enterro.

                    Ele está por aí, curtindo o que resta de sua vida.


Dez/07

 

página inicial | biografia | obras | escritos | contato
© Todos os direitos reservados | depas@depas.com.br